quarta-feira, 15 de agosto de 2007

A forma como o ateísmo é tratado nos EUA

  1. Por que motivo é impossível os crentes americanos tratarem o ateísmo como uma opção válida e os ateus como pessoas?
  2. Por que motivo não podem os crentes (sejam eles de onde forem e de que religião forem) compreender o significado de separação entre Estado e Igreja(s)?
  3. Por que motivo podem os crentes ter partidos democratas-cristãos, direitas evangélicas, líderes políticos a usar deus(es) como argumento e a utilizá-lo como arma de arremesse moral (seja ameaçando excomunhão, seja afirmando que os oponentes não-crentes são imorais ou amorais), e os não-crentes, pelo contrário, não hão-de poder votar em líderes que defendam o laicismo (não o ateísmo político, simplesmente o laicismo, ou seja, a imparcialidade, nem a proibição nem a obrigação de crença ou descrença de coisa alguma, mas a mera liberdade de crer ou não crer e de não ter de suportar as crenças de outrem)?

A Religião: fonte ou manifestação de distúbios mentais?

terça-feira, 14 de agosto de 2007

A Esquerda Islâmica

É-me difícil perceber o motivo pelo qual quanto mais radical é a Esquerda, mais anti-católica e mais pró-islâmica ela é. Qualquer frase que na boca do Papa é apelidada de retrógrada, na boca de um barbudo aos berros ou de um sheik falando com voz de cordeiro é recebida ou com silêncio reverente, ou com um aceno compreensivo ou até com um apoio à sua especificidade cultural.


[Não se ria a Direita - a sua atitude é a diametralmente oposta, ou melhor, é exactamente igual. Se alguma obscenidade religiosa for defendida por um muçulmano, é apelidada de ataque aos valores ocidentais. A mesma posição, tomada pelo Vaticano, é entendida como normal afirmação dos valores que moldaram a Europa e o Ocidente.]

It's the Ethics, stupid

Conseguiu-se, enfim, provar a minha estupidez. Eu realmente achava que a defesa da fuga aos impostos era uma questão de anti-estatismo. Folclore ideológico, mas... ideológico. Eu estava errado.

Aqui, a defesa da trapaça não é uma questão de filosofia política. É uma questão de filosofia moral.

Não se trata de ideologia. Trata-se de carácter.

Não se trata de opção política. O problema é mesmo falta de moral.

Numa coisa eu estava certo. O exemplo espartano. Valha-me isso.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

A verdadeira luta - Kulturkampf reinventada?

Em resposta ao que escrevi a respeito de Márcia Rodrigues, respondeu Miguel Portas

Ora, eu não disse que tinha que ver com a lei. E pouco me importa que os Estados Unidos tenham financiado determinados grupos - pouco me importa na medida em que eu não defino as minhas posições políticas em torno do que Israel ou os EUA fazem. Como não sou anti-americano, nem anti-semita (ou o seu eufemismo, anti-israelita) nem anti-árabe, mas sou anticlericalista, a mim interessa-me definir como posso aumentar as liberdades dos indivíduos e remeter a religião para um espaço confinado que não perigue critérios universais de dignidade humana.

De facto, os critérios por que me guio não são ocidentais. Se o fossem, eu defenderia que a mulher ficasse em casa ou houvesse tráfico de escravos. É essa a nossa tradição profunda, como é essa a tradição profunda dos muçulmanos. Os “julgamentos ocidentais” a que se refere são o produto de movimentos culturais que foram buscar menos contributos às tradições dos povos europeus que à produção intelectual do Iluminismo.
Como já deu para perceber, não sou pelo multiculturalismo, não sou nada pós-moderno e o relativismo causa-me asco. Cada cultura tem todo o direito de existir. Desde que não ponha em causa critérios éticos racionais e por isso universais.

É esta minha postura que me permite estar tão contra o financiamento americano dos talibans ou da Irmandade Muçulmana como contra o financiamento iraniano do Hezbollah, e tão contra o Hamas como contra os ortodoxos judeus.

Por detrás das barricadas que nos querem impôr, a verdadeira luta é entre os reaccionarismos e a defesa da Modernidade.

O Capitalismo actual, o Mérito e a Propriedade


A maior parte das grandes empresas (se não todas) é detida por milhares de pessoas. Nelas, como em todos os outros locais (empresas mais pequenas, administração pública) a cunha existe e existirá sempre. Ou seja, haverá sempre pessoas que se aproveitam da sua posição de poder organizacional, embora não sejam proprietárias, para favorecer um familiar ou um amigo. Esse familiar ou amigo passa a gozar de um estatuto diferente e tem a ascensão facilitada.

Compreendo que este tipo de exemplos possa fazer confusão a pessoas que imaginam o capitalismo como se estivéssemos ainda no século XVIII e estivéssemos a falar de trocar vacas ou de vender cerveja. No entanto, algum realismo não faria mal. Os marxistas tendem a ver o mundo como se vivessemos em plena Revolução Industrial. Os conservadores liberais fazem melhor: imaginam-se nos seus alvores.

De facto, a questão que o Hugo levantou é pertinente e para mim um verdadeiro liberal deveria colocar esta questão: será admissível que alguém utilize a propriedade alheia (a dos accionistas) para promoção pessoal ou familiar? Até onde vai o respeito pela propriedade aqui?
Dúvidas?


Acho encantadora a simplicidade com que os libertarianos (acho que encontrei a expressão apropriada para a espécie, a meio caminho de libertário e marciano) analisam o mundo e dão as suas respostas. Mas a dado momento temos de ver as coisas como elas são e não como os nossos autores de eleição as viveram ou as imaginaram.

domingo, 12 de agosto de 2007

Votação da moda

Resolvi fazer a votação da moda. Eis os resultados.

Kucinich 53
Clinton 37
Obama 34
Dodd 32
Edwards 31
Gravel 29
Richardson 21
Biden 21
Giuliani 1
McCain -2
Thompson -18
Paul -24
Huckabee -30
Cox -3
Romney -32
Hunter -38
Brownback -41
Tancredo -49

Apesar dos resultados, acho que se votasse seria Hillary Clinton. Bom, teria de pensar um pouco, mas estou farto de homens no poleiro.

Mais comichões anti-homofóbicas

Muitos têm uma enorme dificuldade em reconhecer o óbvio, ou seja, que a sexualidade adolescente existe (oh se existe). As consequências de tal "postulado" já foram debatidas por aqui vezes suficientes, berdá? Se se fala de homossexualidade adolescente então, ui, cai o carmo e a trindade e entramos no domínio do tabu absoluto.
Por Shyznogud no Womenageatrois
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Por Tiago Mendes na Atlântico

Márcia Rodrigues, o Véu e o "respeito pelas culturas"

É um facto que o acto da jornalista (apresentar-se de véu na entrevista ao embaixador iraniano) foi, vá lá, um pouco descabido.
Não deixa igualmente de ser um facto que, ao fazê-lo, chamou novamente a atenção para a barbárie existente em quase todo o mundo muçulmano e que já se começa a impôr em países que se tinham parcialmente livrado desses costumes, como a Turquia ou os países magrebinos.

Ao expôr-se ao ridículo, ridicularizou (involuntária ou voluntariamente?) os costumes muçulmanos e a mania que muitos ocidentais têm de multiculturalmente achar que é normal mulheres andarem cobertas da cabeça aos pés e, algumas (no Reino Unido ou na Suíça, para referir dois casos que recentemente me contaram), inclusivamente com cadeados e arames no véu que tapa a cara.

A Homossexualidade faz comichões no rabo dos insurgentes...

... e por isso gostaria de trazer algumas boas respostas a questões que os insurgentes têm levantado.
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por João Galamba do Metablog
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Nada me indica que os adolescentes participantes no "gay parade" tenham definido a sua sexualidade pela participação na manifestação; por outro lado, a participação dos mesmos foi condicionada ao acompanhamento dos pais, pelo que os pais não só autorizaram, como fizeram questão de acompanhar os filhos durante a parada. Posto isto, se, como pai, me visse confrontado com uma situação semelhante, procuraria saber as razões que levariam o meu filho a querer participar; se as considerasse razoáveis, disponibilizar-me-ia para participar, sem, no entanto, deixar de dizer tudo o que de errado considerasse haver na dita manifestação.Estaria, ainda assim e segundo o Carlos, a cometer um crime se o fizesse em alguns países ocidentais, o que não deixa de ser surpreendente. Desconheço quaisquer países onde este comportamento parental configure um ilícito criminal - muito menos, tal me parece possível em Portugal -, mas suponho que o Carlos me saiba dizer de que países se trata e qual o crime em questão. Finalmente, já assisti também, ainda que involuntariamente, a uma gay parade e, ao contrário do meu colega de blogue, dificilmente a descreveria como uma "demonstração de cariz sexual", seja o que for que se possa definir como tal.
por JB no Small Brother
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por JLP no Small Brother
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por Ludwig Krippahl no Que Treta