sábado, 17 de maio de 2008

Um longo Verão de Noivado

Recebida por e-mail, esta brilhante analogia.

You know the whole idea of the Democrats going for Obama is like a seduction? People have basically been seduced by his charms, let their hearts rule their heads, chosen the dashing, charming Obama over the solid, clunky Clinton.

So now I'm thinking you can take this a step further. You're the early-voting Democrats you have had a whirlwind romance with Obama, a dashing, tall attractive, relative stranger. And you've got engaged!

But now there is some time before the wedding.

And you're introducing your fiance to their family and friends around the country. And the family and friends aren't impressed. They think this guy is a bit flash. They prefer the solid, clunky person you spurned. And even you are starting to have doubts. [...] And in fact, just like in any relationship, after the initial infatuation wears off, you discover he actually has some things about him that you don't like. He has some friends you don't really approve of (even his pastor is crazy!) [...]. Meanwhile, the spurned suitor is showing a lot of bravery, being pretty tough, showing they still really want you, and are willing to fight for you. [...]

And suddenly you're stuck. Do you call off the engagement or keep going and> hope for the best?


Andrew Gray

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Católico, de Direita, Casado e... Gay

Frédéric Minvielle fez tudo como devia ser: foi entregar os papéis do casamento à embaixada francesa em Amesterdão após o casamento com um cidadão holandês, em 2003. Minvielle quis a cidadania holandesa como forma de apreço pelo país permitir o seu casamento com outro homem. Segundo os acordos entre Holanda e França, é possível que um cidadão francês tenha dupla nacionalidade, caso assuma a da pessoa com quem casou. Assim, Minvielle achava que, ao comunicar a sua situação à Embaixada de França, manteria a nacionalidade francesa. Mas não.

A fundamentação legal das autoridades francesas é que, como a França não reconhece o casamento homossexual, Minvielle está solteiro e assumiu uma segunda nacionalidade, não podendo manter a francesa. Só o poderia fazer se estivesse casado. E, para a França, não está.

"Sinto-me um criminoso", disse Minvielle ao Libération, na sua casa em Amesterdão. E logo um cidadão como ele: "Sou católico, de direita, votei "Sarko".

Público.pt

Alguém devia explicar a este senhor que, à luz da sua religião, ele irá passar o resto da Eternidade a arder no Inferno. E que, à luz da orientação ideológica do seu partido, ele tem muita sorte (e não graças ao seu partido) em ser tolerado pelo Estado.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

De igual para igual

Já todos ouvimos e lemos que o Estado tem uma qualquer obrigação de apoiar os diferentes cultos religiosos (pagando aulas de Religião, subsidiando escolas religiosas, construindo igrejas e centros paroquiais, etc.). A teoria que circula a respeito da "sociedade civil" (que apesar de ser "civil" parece que precisa do dinheiro político) e que habitualmente é a forma encapotada de os conservadores defenderem mais privilégios para a Igreja Católica (mesmo que isso implique fazer umas cedências de circunstância a cultos irrelevantes como o muçulmano ou o judeu - esquecendo as igrejas evangélicas, com muitíssimo mais fiéis) vai ter agora de enfrentar um problema grave.

Está em vias de se constituir a Associação Ateísta Portuguesa. Será que agora os defensores da "sociedade civil" subsídio-dependente vão aceitar que a futura Associação também mame da teta estatal ou será que a distribuição de dinheiro de impostos alheios com vista à propaganda ideológica é um couto abraâmico?

Associação Ateísta Portuguesa



Soube agora mesmo através do Penates Publici que está em avançadíssimo processo de constituição a Associação Ateísta de Portugal - AAA.



Quem estiver interessado, siga os links: Informações gerais; Estatutos; Escritura.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Honestidade (nenhuma): para rematar

O dia 1 de Dezembro [...] é essencial na nossa história e antecede o 25 de Abril. Sem ele, não seríamos portugueses, [...]. A sua relevância histórica [...] não pode ser medida pela absoluta irrelevância das suas comemorações. Caso em que, se assim fosse, teríamos que concluir pela nossa vontade de integração no nosso país vizinho.

Aqui não sei se estou no domínio da desonestidade ou da simples ausência de reflexão. Vejamos o argumento:

- O 1 de Dezembro é importante, o 25 de Abril também;
- O 1 de Dezembro garantiu a nossa independência;
- Se não considerarmos o 1 de Dezembro como um dia mais importante que o 25 de Abril, então temos de ser pela integração em Espanha.

Ora, eu até tentei encadear a ideia silogisticamente (e todos sabemos como os silogismos se prestam a disparates) mas até isso é impossível. Por algum motivo que me ultrapassa, achar que mais importante que ser português, é ser livre, resulta numa defesa do iberismo.

A conclusão é de tal forma desconexa que deixo ao juízo de cada um a avaliação do mérito ou demérito da mesma.

Honestidade (mas pouca): aprofundando o argumento

Vou aprofundar o que afirmei anteriormente. Como se pode, a partir do primeiro excerto do post Desonestidade concluir que ou AMN anda com dificuldade em fazer-se explicar, ou realmente coloca a nação à frente do indivíduo? Esmiuçando:

O dia 1 de Dezembro (logo eu que sou republicano) [menção irrelevante, como o é o dizer-se que não se é crente quando se está a defender mais privilégios para a Igreja Católica] é essencial na nossa história e antecede o 25 de Abril.
Retenhamos o antecede. Será que a questão é apenas de cronologia? Seria uma estranha forma de hierarquizar os nossos feriados, mas se fosse apenas isso não teria qualquer relevância. Mas...

Sem ele, não seríamos portugueses, não teríamos este país, seríamos outra coisa qualquer
Ora bem, era aqui que eu queria chegar. O ser português é o que está em causa.

e eventualmente nem sequer teríamos tido qualquer tipo de 25 Abril.
Ora, não teríamos o 25 de Abril, mas teríamos outra coisa qualquer. Qualquer outra manifestação da tendência para a liberdade. Essa mesma tendência que qualquer consciência individualista sente e que é absolutamente independente de se ser português, ou espanhol ou qualquer outra coisa. Eu não aspiro a ser livre por ser português mas por ser um ser racional. E a minha qualidade de indivíduo dotado de razão está antes de tudo o resto, antes de qualquer irrelevante manto histórico, cultural, linguístico.

Que Adolfo Mesquita Nunes não o perceba, diz tudo. É uma clivagem ideológica decisiva.

Honestidade (mais ou menos)

Quando escrevi este post inclinava-me para achar que o Adolfo Mesquita Nunes tinha recorrido a uma arte de fuga para minimizar o 25 de Abril, afirmando a superioridade do primeiro de Dezembro. Podia ser, pensei, uma desonestidadezinha a que qualquer pessoa pode ter de recorrer quando está argumentativamente, digamos, à rasca.

Bom, a resposta veio com acusações de desonestidade. É bastante curioso que

E assim foi que, ao fim de múltiplas linhas de artes, manhas e fugas, fiquei um pouco mais esclarecido.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Log Rolling - por que gostam os conservadores de Obama

A imprensa tem sido extremamente simpática para com Obama e arrasadora para Hillary. Quando digo imprensa, digo também (sobretudo?) a imprensa conservadora, extremamente poderosa e muito politicamente orientada.

Durante algum tempo pareceu-me que seria um embevecimento com alguém que falava em Change. Com um negro. E com um homem que tem um nome muçulmano. (E tudo não mudando em excesso - antes um homem negro que uma mulher branca). Havia qualquer coisa que não batia certo, mas eu estava com dificuldades em perceber porquê.

Se eu tivesse tido uma reflexão um pouco mais sofisticada, teria percebido há mais tempo que se trata de um caso exemplar de log rolling. A capacidade da imprensa influenciar o eleitorado pode estar a servir para levar ao embate um candidato fraco e cheio de pontos fracos que fariam as delícias dos spin doctors republicanos. Obama afogar-se-ia num mar de escândalos e ligações perigosas a racistas negros e terroristas não arrependidos.

Para percebermos um pouco melhor: nos finais da década de 50 e inícios da década de 60 os democratas tentaram fazer passar uma medida tendente a aumentar o financiamento à construção de escolas. Um membro dos Representantes negro, Adam Clayton Powell, pretendeu introduzir uma emenda que excluiria os apoios a escolas segregacionistas. Esta emenda não tinha obviamento o apoio dos democratas do Sul. Se a emenda fosse realizada depois da votação da proposta, seria chumbada (os republicanos e os sulistas votariam contra), mas a proposta em si passaria. Ora, sendo os republicanos contra o investimento na educação, garantiram que primeiro se votasse a emenda, votando a seu favor. A proposta que passou excluía pois as escolas do sul do país; na votação final os democratas do sul aliaram-se aos republicanos e a proposta foi chumbada várias vezes; Powell, de cada vez que ela surgia, propunha a sua emenda. E de cada vez, os republicanos actuavam da mesma maneira: primeiro garantiam a inclusão da emenda; depois votavam contra a proposta.

Com Obama a estratégia é rigorosamente a mesma: atacam Clinton, que sabem ser uma candidata de fibra e sobre quem não há escândalos a desvendar, e protegem Obama. Quando este vencer, será esmagado em dois tempo.

E lá vamos ter mais oito anos de Partido Republicano.

M.A.D.

A UDP defendia o modelo albanês. Sá Carneiro as sociais-democracias escandinavas. Mais recentemente, o exemplo a seguir foi a Irlanda e depois dela, a Finlândia.

No entanto, o que nós temos é um MAD: Modelo Africano de Desenvolvimento.

Vejamos quem são os nossos companheiros em termos de concentração de riqueza nos 10% mais abastados:
#66 Madagascar 28.6%
#67 Portugal 28.4%
#68 Mauritania 28.4%.

Também interessante é que, se os 20% mais ricos concentram 43,4% do rendimento e os 20% mais pobres têm apenas 7,3%, aquilo a que sofrivelmente poderemos chamar classe média (os 60% do meio) têm para si 49,3% do rendimento. A aceitar um valor médio dos salários brutos que instituições como o INE têm dado (cerca de 800 euros) isto significa que o rendimento bruto médio mensal de um português de classe média é de (aproximadamente, dado que estou a fazer contas de forma muito simplista) 657,33 euros.

Se isto não dá vontade de fugir...

Os corredores de fundo correm mais longe

Clinton, who won the Pennsylvania primary last week, has gained ground this month in a hypothetical head-to-head match up with the GOP nominee-in-waiting; she now leads McCain, 50 percent to 41 percent, while Obama remains virtually tied with McCain, 46 percent to 44 percent.

O inevitável começa a acontecer: o discurso de Obama é oco. Encanta nos primeiros minutos e farta nas horas seguintes. Falta saber se yes they (Democratas) can cair na esparrela.