domingo, 20 de julho de 2008

Bronisław Geremek

Numa Europa em que pululam e prosperam os Barrosos desta vida, chamem-se eles Sarkozy ou Berlusconi, há exemplos que nos recordam os Founding Fathers do nosso continente renascido da II Guerra Mundial.


De origem judaica, teve melhor sorte que o seu pai, morto em Auschwitz: escapou do Ghetto de Varsóvia e teve uma carreira académica brilhante, tanto na Polónia como em França. Mas foi na política que singrou e se notabilizou. Como tantos outros, teve na Primavera de Praga o confronto com a realidade brutal do comunismo. Passou do partido oficial à oposição democrática. Ganhou destaque com o Solidarność. Depois de passar por vários cargos políticos de enorme destaque, continuou fiel à Liberdade: recusou nos últimos anos assinar o infame documento dos irmãos Kaczinsky no qual devia confirmar que não tinha colaborado com o regime comunista.


Era, desde as últimas eleições europeias, deputado da ALDE pelo partido liberal social polaco, o Partido Democrático. No ano passado escreveu: Depois de termos feito a Europa, devemos agora fazer os europeus. Senão, arriscamo-nos a perdê-la.


Bronisław Geremek morreu há uma semana. Como europeu e como liberal, é um exemplo único e um símbolo do que a Europa deve lutar por ser.



1 comentário:

ejsantos disse...

"Depois de termos feito a Europa, devemos agora fazer os europeus. Senão, arriscamo-nos a perdê-la. "

Bem dito. Acertou em cheio. E sabe, Igor, parece-me que não temos outra possibilidade. Temos que nos unir, ou estamos bem lixados (com F grande).