segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Não há um que se aproveite

[...] o laicicismo pretende retirar as ditas condições de desenvolvimento comunitário necessárias à igreja no papel social que se propõe.
Recentemente uma personagem chamada Migas disse que [uma] peça do DN brinda-nos com uma afirmação digna do Igor Caldeira a falar de “anarco-libertarianos” (n'O Demente). Quando eu escrevi aquele texto, até tinha achado que tinha esticado um poucochinho a corda: como os anarcaps e os conservadores andam todos misturados, estava (achava eu) a provocatoriamente tomar a parte pelo todo.
E não é que eu disse uma verdade pensando que estava a dizer um meio-disparate? Pois é. O FMS, um dos melhores exemplos de um anarcap, afinal esquece todo o seu objectivismo quando se trata da religião. Os liberais portugueses somam e seguem. Não há um que sobre.
Deixo uma frase de Ayn Rand, fundadora do objectivismo.
[F]aith and force. . . . are corollaries: every period of history dominated by mysticism, was a period of statism, of dictatorship, of tyranny.
Adenda
Conforme disse aqui eu faria a correcção do que escrevi caso me tivesse enganado e o Filipe mo explicasse. Ele de facto escreveu o seguinte
Não percebo porque este é um assunto de discórdia. É assim mesmo, nem há outra maneira de pôr a coisa.
É na verdade tão simples como isto.
Portanto, concordando com o Luís Lavoura e comigo em como o Estado não deve subsidiar os cultos religiosos. Confesso que permanece a minha dúvida sobre qual o significado de dizer que certo laicismo constitui obstáculo ao desenvolvimento comunitário das igrejas - no entanto, e isso é que é mais importante, ficou esclarecido que a posição do Filipe foi por mim mal interpretada. A minha correcção e as minhas desculpas, portanto.

8 comentários:

abrantes disse...

A A.Rand nunca foi anarquista.

E 80% dos "ancaps" não são objectivistas.

Informe-se melhor antes de escrever coisas erradas.

PS: ah, e estou em crer que, segundo a acepção normal do que é ser progressista (isto é, anti-conservador), a maioria dos "ancaps" podem ser considerados progressistas visto que condenam a proibição das drogas, da eutanásia, da poligamia, etc. Sim, tolerar isto tudo numa sociedade livre é mesmo ser muitissimo conservador. Sem dúvida.

abrantes disse...

Bem, a A.Rand nunca foi anarquista.

E 80% dos "ancaps" não se revê no objectivismo da A.Rand.

PS: Ah, e estou em crer que, segundo a acepção corrente do que é o progressismo (isto é, o anti-conservadorismo), a maioria dos “ancaps” podem ser considerados progressistas visto que condenam a proibição estatal das drogas, da eutanásia, da poligamia, etc. Sim, tolerar isto tudo numa sociedade livre é mesmo ser muitíssimo conservador. Sem dúvida.

Igor disse...

Vai ter de ler a explicação que escrevi a respeito da expressão "anarco-conservadores-libertarianos" para, em vez de cuspir para o ar, aprender a ler e pensar ao mesmo tempo.

Igor disse...

"condenam a proibição das drogas, da eutanásia, da poligamia"

Pena que nunca vi nenhum "liberal" português a fazê-lo. Pelo contrário, já lhes li muitas defesas do apoio do Estado ao "desenvolvimento comunitário" das igrejas, ataques à libertação da mulher ou comparações entre gays e lixo.
Refiro-me aos "liberais" (Insurgente e afins), não aos liberais, naturalmente.

abrantes disse...

Eu não cuspi para o ar. Li um texto seu há semanas onde fazia a descrição do "anarco-conservadores-libertarianos". Na verdade, achei totalmente caricatural.

Na blogosfera portuguesa, não encontrará um único liberal tendência-anarquista que seja contra aquilo que eu referi.

Mostre-me um se conseguir.

Igor disse...

"Na verdade, achei totalmente caricatural."
Vá lá. Percebeu então o sentido do texto. Caso único por esses lados.

Essas questões nunca vi abordadas - posso apenas falar do que já li. E do que já li, no espaço "liberal" abundam os homofóbicos (O Insurgente, Portugal Contemporâneo), os anti-semitas (Portugal Contemporâneo), islamófobos (FMS).

Migas disse...

Igor,

A maneira como escreve os seus posts e responde aos comentários mostra uma arrogância mal-criada notável. O Igor convive muito mal com a crítica, especialmente quando ela é acertada.

Tanto no caso do FMS como d'O Insurgente, das duas uma: ou o Igor não sabe o que é o "libertarianism" e o anarco-capitalismo ou então tem uma invulgar incapacidade de perceber as pessoas.

Chamar ao FMS um "anarcap" é um disparate tão grande que é de rir à gargalhada. Idem para a caracterização colectivista que faz dos insurgentes.

Igor disse...

Falando em arrogância e incapacidade para lidar com a crítica...