sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Desconhecimentos convenientes

A propósito do aquecimento global e do negacionismo que grassa, mais por motivos ideológicos que por seriedade argumentativa em alguns sectores... Bom, eu não tenho formação científica suficiente para explicar a fundo, mas quem não for demasiado obtuso poderá compreender esta rápida (e digo rápida porque é apenas o resumo aque alguém com os meus parcos conhecimentos na matéria pôde aceder) explicação:


O clima relativamente moderado que nós temos na Europa (por comparação com as mesmas latitudes na América do Norte) é o resultado da corrente do Golfo, uma corrente que percorre o Atlântico Norte desde as Caraíbas até algures entre a Islândia, Noruega e Reino Unido. Trata-se de uma corrente de água salgada e quente (leve) que nos permite ter temperaturas relativamente altas. O problema e o paradoxo do aquecimento global é pode conduzir a um arrefecimento local. O degelo na Gronelândia e no Canadá e (ao que soube mais recentemente) principalmente o descongelamento do permafrost siberiano significa um afluxo enorme de água doce. O problema desta água doce é que ela certamente puxará a corrente do Golfo para baixo, e muito provavelmente interrompê-la-á.
Se a interromper, rapidamente a Europa, mas também a América do Norte, poderão conhecer uma nova Idade do Gelo. Tudo depende da gravidade da interrupção e do tempo que ela demorar. Pode durar cinco anos, e sofreremos um bom pedaço. Pode durar mil, ou dez mil, e isso é mesmo o nosso fim.


É impossível dizer em concreto quando é que a muita água doce que está a desaguar no Atlântico será água doce a mais. A única coisa que se sabe hoje é que o fenómeno do rapid climate change/ younger drias já aconteceu múltiplas vezes e que a própria Europa já conheceu, muito recentemente (três ou quatro séculos) pequenos períodos de algumas décadas de clima especialmente rigoroso. Há quadros holandeses do século XVII que mostram lagos completamente gelados e que ninguém se lembra de ter visto sequer perto desse ponto. Achei também curioso que a mini-idade do gelo do século XVII fosse retratada por Virginia Wolf no seu fabuloso Orlando.
Em todo o caso, na época precendente à do primeiro Orlando não havia aquecimento global como nós o temos agora. O completo degelo da Gronelândia ou da Sibéria parece à primeira vista atractivo. No entanto, o preço a pagar por ele será muito alto. O aquecimento global existe, mas ele pode-nos trazer algo ainda pior para nós, habitantes do hemisfério norte. Numa reportagem que vi recentemente um cientista creio que islandês manifestava a sua preocupação: as migrações de peixes não estavam a seguir o seu percurso normal, acompanhando a corrente do Golfo. Algo está mal com a corrente. E se a corrente se quebra... cientificamente falando, estamos lixados.

12 comentários:

Mac Adriano disse...

Agora está na moda chamar-se negacionista a quem tem uma opinião diferente das ideias "instituídas". Eu sou apenas céptico, não papo tudo o que me dão. Informo-me das razões de um lado e do outro. Mas isso sim, desconfio muito quando a classe mais desonesta de todas - a classe política - é a mais empenhada em espalhar determinadas "verdades". E quem tem de provar alguma coisa é quem defende a teoria do aquecimento global. As alterações climáticas sempre existiram, com ou sem poluição. Isso é o que eu sei. Também sei que a poluição é um problema. Agora que um tal de aquecimento global seja provocado pelos chamados gases antropomórficos, isso é que ainda não está provado. Mas, seja o que for que tiver de ser provado, são os cientistas que o devem fazer (e estes parece que não chegam a acordo), não os políticos.

Uma coisa é certa: não admira que os políticos se mostrem tão empenhados em defender a teoria. Vêem aí uma excelente oportunidade para nos cobrar mais impostos. Já pagamos uma taxa ecológica quando compramos electrodomésticos e quando viajamos, e o cretino que desgoverna Portugal até já tentou criar mais uma taxa, sobre os sacos de plástico. É assim que mostram seriedade para defender a causa? Resolve-se o problema se o dinheiro passar das nossas mãos para os cofres do governo?

Há uma coisa que eu não preciso de ser cientista para saber: é que são os ricos que mais poluem. E as taxas e impostos criados em nome da poluição não os vão fazer deixar de poluir, que têm dinheiro de sobra para isso e muito mais. Vai é fazer com que os que menos poluem, os pobres, tenham cada vez mais dificuldade em comprar um simples frigorífico para conservar a comida. Eis o que é o aquecimento global: uma forma de deixar os pobres ainda mais pobres. Se o Al Gore se preocupasse tanto como diz, começava logo por viajar menos em aviões postos a voar só para ele e deixava de gastar 10 vezes mais energia do que o norte-americano comum (que já gasta muito mais do que eu).

De resto, não percebo nada do assunto. Mas percebo de linguística(e tenho alguma formação científica na área, mas nem era preciso). E, como tal, se afinal o fenómeno se caracteriza por aquecimento nuns sítios e arrefecimento noutros, chamem-lhe o que quiserem, mas aquecimento global é que não é.

Finalmente, parabéns. Para quem diz não ter formação científica sobre o assunto, o texto aqui apresentado (com expressões como "permafrost" e "younger drias") parece saído da pena de um doutorado em climatologia. Seriedade argumentativa? Eu chamar-lhe-ia "copy/paste". A minha opinião é minha, não se funda em nenhuma ideologia. Já a distribuição de panfletos...

Igor disse...

Mac Adriano:
Não se trata de copy/paste. Trata-se de investigar um bocadinho. E não de papar ao pequeno almoço aquilo que me é mais conveniente papar. Um céptico é uma pessoa que ouve/lê todas as opiniões e tenta formar a sua. Não quem tem uma ideia e se atém a ela, insultando quem discorda.

Essas teorias bushistas de que a Terra não muda e de que o Homem não tem efeito sobre o meio envolvente não tem nada de céptico. Um céptico jamais paparia ideias criacionistas de que Deus deu a Terra ao Homem e de que os recursos ambientais são inesgotáveis.

Qualquer pessoa que entenda que esse tipo de ideias é irrazoável vai procurar informar-se um pouco mais. Coisa que, manifestamente, não só o Mac Adriano não fez, como não aceita que os outros façam.
Confesso - para alguém que se afirma um céptico, ficar pelo discurso de mercearia do "estão-nos a ir ao bolso" é mau, muito mau.

Igor disse...

Bom, já agora..

Se "younger drias" ainda pode ser considerada uma expressão obscura para praticamente toda a gente, que alguém que se lembre de falar de ambiente desconheça o termo "permafrost" é para mim chocante. Não se trata de um conhecimento científico muito sofisticado, mas uma expressão que a cultura geral básica de qualquer indivíduo que entenda que o que escreve (especialmente se escreve sobre o ambiente) tem qualquer interesse (o suficiente pelo menos para publicar num blog) deve conter.

Que o Mac Adriano ache que se trata de arrogância usar algo tão básico como o termo "permafrost" permite-me ter uma excelente noção da qualidade argumentativa do meu interlocutor.

Mac Adriano disse...

"O problema e o paradoxo do aquecimento global é pode conduzir a um arrefecimento local" (sic). Então, chamem ao vosso fantasma o que bem entenderem, mas aquecimento "global" é que não é.

"Um céptico é uma pessoa que ouve/lê todas as opiniões e tenta formar a sua". Para sua informação, é exactamente o que tenho feito. Como os argumentos pró-aquecimento ainda não me convenceram, baseio-me no que sei: que, desde sempre, houve alterações climáticas (ou o homo erectus também foi o responsável pelas alterações climáticas de outrora? Ou são os marcianos os responsáveis pelo aquecimento de Marte?).

"Essas teorias bushistas (...) Um céptico jamais paparia ideias criacionistas..." (sic). Este parágrafo é uma autêntica pérola. Veio bater à porta errada. Não gosto de Bush nem de nenhum deus, muito menos o cristão, caso lhe interesse saber. Parece-me isto um bocadinho pior do que a tal "conversa de mercearia". Por aqui se vê a qualidade e seriedade argumentativas que julga ter.

"... o negacionismo que grassa, mais por motivos ideológicos que por seriedade..." (sic). Fico esclarecido. Quem pensa de forma diferente da sua tem motivos ideológicos (talvez o bushismo e o criacionismo). Quem concorda consigo, pelo contrário, mesmo que não dê provas de nada, tem seriedade argumentativa.

Independentemente da qualidade dos meus argumentos, seriedade é isto que faço: escrever um comentário a um "post" de outrem. Nunca fiz cópia de um texto meu, colando-o na sua caixa de comentários. Isso não é argumentação, é distribuição panfletária, essa sim, nunca isenta de motivações ideológicas. Para finalizar, se quiser esclarecer alguém ignorante como eu sobre as suas razões, responda às dúvidas deixadas, dê provas da sua verdade absoluta. O que não preciso é que me dê lições de semântica, que com o dicionário ainda me vou entendendo e sei muito bem o que significa "céptico", nem que me ligue a abjectas teorias do catolicismo, que pode ser a sua religião, mas garanto que não é a minha. Não confunda livre-pensamento com carneirismo. E, sobretudo, sinta-se livre de comentar no meu blogue quando assim o entender (nem sequer tenho moderação de comentários por lá e pode apreciar imediatamente o que escreveu), mas não me vá lá impingir os seus textos científicos, que, se eu quiser, venho cá lê-los.

Igor disse...

"seriedade é isto que faço: escrever um comentário a um "post" de outrem. Nunca fiz cópia de um texto meu, colando-o na sua caixa de comentários"

Seriedade era perceber que se calhar, se calhar apenas, o que eu fiz foi justamente o contrário: ter pegado na minha resposta a um post de outrem e ao invés de o deixar perdido nas catacumbas, ter feito dele um post no meu blog.

Não é preciso ser nenhum génio para perceber que foi isso que fiz, dado que o meu post remete primeiro para o texto que originou a minha resposta ("A propósito do aquecimento global e do negacionismo que grassa, mais por motivos ideológicos que por seriedade argumentativa em alguns sectores...") e depois continua com a própria resposta que já tinha escrito.

Isto, qualquer pessoa inteligente percebe. E para bom entendedor, meia palavra basta. Não que seja o seu caso, mas isso o permafrost já mo tinha demonstrado.

Mac Adriano disse...

Este é o meu último comentário aqui, que não alimento discussões fúteis. Do essencial, nada diz. Como "escreve" os seus inteligentíssimos textos copiando as palavras de outros, não está apto para responder às dúvidas dos que ainda as têm. Fique lá com as suas verdades supremas e absolutas e fique a falar sozinho sobre o "permafrost", já que é pelo conhecimento ou não desta palavra que avalia os outros. O sentido de palavras como "global", que até pessoas que nunca andaram na escola são capazes de perceber, é que, pelos vistos, não lhe diz nada. No fundo, é o produto do ensino moderno, em que se fala muito mas nada se diz. Importante mesmo é saber clichés, e coitadinhos dos que não os sabem ou deles não gostam.

Afinal, este blogue é o de um génio, não é acessível a qualquer um. Tem futuro na política portuguesa, onde imperam os mestres da retórica onanista. Já que gosta tanto de se pôr a formular teorias sobre os outros, vou também formular uma sobre si: deve ser membro de alguma parasitária juventude partidária. Por mim, pode lá ir parar (à política). Enquadrava-se bem no meio dessa gente de "ideias" preconcebidas e a mim não me afectava, que felizmente não vivo nesse país de "génios", onde todos sabem todas as coisas sobre tudo.

Igor disse...

Repare, só se pode considerar génio quem não precisa de fundamentar o que diz. Como o Mac Adriano. Ser iluminado que é, não precisa de recorrer a uma argumentação validável ou invalidável. Os mundos perfeitos sem falseabilidade servem-lhe bem e acho que talvez o melhor é continuar assim. É isso, de resto, que um onanista faz: basta-se a si mesmo, falando de si para si. Como a única coisa que o preocupa é a sua opinião,k o onanista não precisa de procurar fundamentá-la.

PS - o permafrost é apenas um exemplo da sua rejeição de qualquer conhecimento que lhe escape, seja por que motivo for.

Se quiser ir para o domínio da ignorância alarve, repare nisto:
"Agora que um tal de aquecimento global seja provocado pelos chamados gases antropomórficos".
Ora, por mal do, como diz, "ensino moderno", eu não sei grego. Mas conheço as principais raízes das palavras que hoje utilizamos de origem grega, e não me parece que andem por aí gases com forma humana. Felizmente, o meu ensino moderno permite-me saber que a palavra que deveria ter utilizado era "antropogénicos" (=homem+origem). Se eu me tivesse enganado, a minha educação moderna ensinava-me a reconhecer o erro. A minha educação moderna tem destas coisas, de me ter infectado com essa doença terrível que poderemps chamar, digamos, "humildade gnósica". Ora fique com mais uma palavra helenogénica.

Igor disse...

Exemplo acabado de uma de três coisas:
- não perceber o que está escrito;
- não querer perceber o que está escrito;
- nem sequer ler o que está escrito:

""O problema e o paradoxo do aquecimento global é pode conduzir a um arrefecimento local" (sic). Então, chamem ao vosso fantasma o que bem entenderem, mas aquecimento "global" é que não é."
- Ora, como eu digo, o aquecimento É global; pode é conduzir a um arrefecimento local. É o que está lá escrito. Não custa muito juntar as palavrinhas, certo? Mais ainda, o aquecimento é, o arrefecimento pode ser. Portanto, o que "é" existe, o que pode ser ainda não existe. Portanto, algum nome se tem de dar aquilo que defendemos que existe, certo? E a isso (o aquecimento global) chamar-se-ía o quê?

Mac Adriano disse...

O anterior era o meu último comentário, mas urge desfazer (mais) um equívoco. Do qual, admito, tenho alguma culpa, pois não pus a palavra entre aspas, como devia. Porém, como me disse que "para bom entendedor meia palavra basta", pensei (e obviamente enganei-me) que tivesse percebido que a palavra "antropomórfico" não é minha, mas de alguns dos seus correligionários. Por isso digo no meu primeiro comentário: "...pelos chamados gases antropomórficos". Andam a dar demasiada importância ao "permafrost" (que, para sua informação, consigo perceber de que se trata sem consultar coisa nenhuma, basta estar atento à formação da palavra e ter conhecimentos básicos de inglês), mas depois falham nas palavras mais básicas. É que, se lhe interessar saber, qualquer pessoa é portadora de dois tipos de vocabulário: o activo e o passivo. Activo é aquele que utilizamos, passivo é o que normalmente não utilizamos mas entendemos perfeitamente. Ora, a tal palavra faz parte do meu vocabulário passivo, pois como tenho mais em que pensar (na minha sobrevivência e na da minha família, primeiramente, e, no que diz respeito à cultura geral, em áreas que considero bem mais interessantes), não ando a distribuir panfletos sobre o "chamado" aquecimento global, pelo que não preciso de inserir essa palavra no meu vocabulário activo. Nem essa nem, normalmente, "antropogénico". Contudo, se tivesse querido usar esta última correctamente, não teria escrito "os CHAMADOS gases antropomórficos", mas simplesmente "os gases antropogénicos". Deixo aqui exemplos do que dizem alguns que, como você, andam por aí a dedicar-se ao panfletarismo "global" e a ver os tais fantasmas (gases com forma de gente):

"É sabido que os efeitos provocados pela emissão de gases antropomórficos estão seguindo por um caminho sem volta"

"Acho que o metano é um assunto muito sério, assim como os outros gases antropomórficos"

Estas frases são de obscuros fanáticos do aquecimento "global", mas que me diz desta de uma auto-denominada empresa de tecnologia ambiental (Sabertec)? Reza assim: "considera-se que os gases estufa antropomórficos (emitidos pelo homem) são responsáveis..."

Como diz, "para bom entendedor meia palavra basta". Mas o que diz não é o que é. E repito, já que lhe custa perceber: para já, não há "aquecimento global" coisíssima nenhuma. Não sabe o que tem acontecido por todo o planeta no último ano? Os piores nevões da China dos últimos 50 anos, nevões por grande parte da Europa não observados há muitíssimos anos, neve em Buenos Aires e em Bagdade, coisa que nunca ninguém vivo, tanto quanto se sabe, tinha visto. O próprio Árctico, sobre o qual tanto falam, mas parecem ignorar que até ficou mais frio em algumas partes. Quando se trata de frio, estes fenómenos que vão acontecendo por todo o mundo são considerados "locais". Já o aumento de temperatura é sempre "global", como vos convém. E depois ainda me querem dar lições de semântica.

Repito: nem você nem nenhum outro fanático me responde nunca às perguntas que já aqui deixei. Deixe-se de conversa sobre mim, sobre aquilo que pensa que eu sou ou sobre o que pensa que eu não sei. Responda apenas, se quer defender a sua "dama", ao que lhe perguntei: se sempre houve alterações climáticas, como prova que estas agora se devem ao homem? As anteriores deveram-se aos povos primitivos? Se planetas onde, tanto quanto se sabe, não há poluição humana, têm aquecido mais do que a Terra, porque é que a Terra havia de ser diferente? Se nuns sítios a temperatura tem subido e noutros descido, porque é que falam em aquecimento global? Se o tal "aquecimento" é um assunto indubitavelmente científico, porque é que os seus maiores prosélitos são políticos e outros "carneirinhos" que percebem tanto do assunto quanto eu? Em que medida as taxas "verdes" que já se pagam (curiosamente, por quem menos polui -- eu e outros como eu) e todas as outras que estão a caminho contribuem para resolver o problema (que ninguém nega existir) da poluição? Quais as provas concretas de que o "aquecimento global" realmente existe? E onde as provas que nos garantem que um suposto aquecimento é resultado da acção humana? Quando me conseguirem responder a tudo isto, terão a minha concordância. Até lá, resumam-se à vossa insignificância e percebam de uma vez por todas que não são donos da verdade. São retóricos onanistas, sim, porque sem argumentos válidos, sem respostas convincentes para as questões dos CÉPTICOS, que querem provas e não conversa da treta. Não rotulem quem não concorda, dêem argumentos válidos. Porque com esse tipo de discurso que não esclarece nada, só poderão obter de nós, os CÉPTICOS, um grande desprezo. Nem de um eficaz proselitismo são capazes...

Bianca Castafiore disse...

Igor, gostei deste post. Posso não ter exactamente a mesma posição que tu em relação ao aquecimento global (de algumas coisas que li, tirei a conclusão de que é impossível o clima aquecer indefinidamente, precisamente por causa de fenómenos da natureza como a referida corrente do Golfo, que é um sofisticado mecanismo de regulação do clima, para além de outros) mas considero que, mais uma vez, foste preciso e sério na análise e nas conclusões. Essa é uma das coisas que aprecio neste blog: honestidade na pesquisa e na escrita. É a única base séria de trabalho, e merece-me todo o respeito. Claro que desconfio das intenções do Gore, mas o que ele diz não deve interferir na forma como se aborda a questão, precisamente por não ser cientista. Além do mais, nem sequer sou cidadã americana,pelo que não terei de me debater com alguma angústia eleitoral sobre o homem. ;)

GMaciel disse...

"Touché, pussy cat", como diria o rato Jerry ao gato Tom.

Infelizmente e como se pode comprovar pelos comentários aqui postados, há quem tenha decidido, simples e puramente, não acreditar na comunidade científica. Seria apenas triste se não fosse a eventualidade premente da catástrofe.

Creio que convém esclarecer que, sim, sempre houve grandes alterações climatéricas que levaram o planeta a várias Idades do Gelo, mas a novidade desta, aquilo que a torna sui generis, é a rapidez com que estão a ocorrer as alterações, ou etapas, prova concreta da responsabilidade do homem e do seu modus vivendi.

É o velho costume, muito humano, de não aceitar a verdade até esta se tornar irremediavelmente gritante. O mais grave, é que pode ser demasiado tarde para o acordar da aveztruz.

jocas grandes, Igor

Igor disse...

Mac Adriano, eu não dei nenhuma lição de semântica. Foi mais de morfologia - embora as duas estejam naturalmente interligadas.

Bianca:
Um dos testes de credibilidade que pus ao filme do Al Gore foi ver se ele falaria do perigo da interrupção da Corrente do Golfo. Felizmente, mencionou-a. A mim é o que mais me preocupa, porque ao passo que acredito que com muito dinheiro (mesmo muito...) os efeitos do aquecimento global podem ser minorados, o início de uma nova idade do gelo seria imparável.

Graça:
É curioso - as únicas entidades que negam o aquecimento global são "institutos" e "think tanks" ligados à mais reaccionária direita americana, bem como igualmente algumas instituições russas (financiadas pelo governo). Se as primeiras são completamente despidas de credibilidade, já as segundas percebo bem porque negam o aquecimento global - dava-lhes um jeitão terem umas temperaturas mais amenas.