terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Cavalgadas

Através da Maria João Pires descobri este texto de Helena Matos. Stôres, assim se chama o conjunto de trivialidades (com algumas críticas certeiras e com as quais concordo, mas que depois descambam numa reprodução dos topoi de referência de um certo espaço ideológico. Trata-se apenas de uma repetição de uma ladaínha para a qual não há propriamente uma resposta porque com certeza que sobre a autora uma comparação com a realidade não teria qualquer efeito. Como a Maria João Pires escreveu, não [se pode] deixar os factos atrapalharem uma boa história!

Para além de uma crítica velada à Modernidade e ao Iluminismo (esta bem podia ter sido regorgitada por Pacheco Pereira que ninguém notaria a diferença: Interdito que está saber o nome dos reis, as criancinhas portuguesas debitam, em escassos meses, uma espécie de cavalgada heróica sobre as classes sociais e as alterações dos meios de produção que vai do terramoto de 1755 ao 25 de Abril de 1974), amalgamados ao marxismo (passados não resolvidos e penitências que adiantam o Inferno na vida terrena) há aqui uma tremenda incorrecção, que só pode resultar ou da ignorância de Helena Matos ou de um desprezo cínico da realidade.

O problema maior deste excerto é que o que autora escreve é mentira; já o era quando eu estudava História no 3º Ciclo e no Secundário, e ainda mais falso o é hoje; como a Maria João Pires escreveu, e como eu bem posso comprovar com a minha irmã que acabou o primeiro ciclo no ano passado, no ensino da História estudar os reis está de volta. E não, não há cavalgadas históricas; talvez que ao espaço ideológico de Helena Matos agradasse que se falasse de outras cavalgadas, mas também isso não noto - felizmente.

3 comentários:

GMaciel disse...

Isso acaba por ser uma prova do que disse o "outro": "temos cada vez mais peritos de tudo a falar de coisa nenhuma".

Caroço, como gostaria de ter sido eu a dizê-lo!
:|
;)

Shyznogud disse...

Num texto em que se escreve uma tão descarada fuga à realidade (ó para mim tão eufemística) tenho dificuldades em encontrar virtudes, daí não me ter sequer preocupado em rebater ou apoiar o "conjunto de trivialidades".

Igor disse...

Não é bem uma fuga à realidade. Quando se foge, é por já lá se esteve. E, pelo menos no que diz respeito à Educação, tenho as minhas dúvidas de que Helena Matos seja muito objectiva.