segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Ainda sobre o Ateísmo e o Laicismo

Um Estado ateu, tal como os Estados religiosos, seria um estado autoritário [...].
Um Estado neutro deixa que cada um tome as opções que considera (ou acredita) serem as melhores para a sua vida. [...] respeito é simplesmente isso. Eu deixo pacificamente o vizinho do lado rezar 12 vezes ao dia e o vizinho do lado deixa-me pacificamente ter práticas sexuais extravagantes. Ambos nos censuramos mutuamente (em liberdade, não há qualquer mal em criticar o próximo), mas, continuamos a dizer bom dia no elevador, a ir às mesmas reuniões de condóminos e até a comprar nos negócios um do outro.

11 comentários:

mm disse...

O problema começa quando a capacidade de distinguir crença religiosa de sensibilidade social se esbate, como acontece na maioria das sociedades. O conflito criado à volta da legislação sobre a IVG mostra como nem sempre é possível separar as águas. O estado vê-se por vezes entre dois fogos e o governante do momento é quem decide as regras do jogo. Em Portugal isso foi muito claro.

pedro silva disse...

O problema começa quando um proto ditador, jovem e obviamente com a cabeça cheia de teorias, como é o Sr Duarte define o que é um estado ateu.

Coma demagogia toda e a ignorância completa esquece-se, lamentavelmente, de nos explicar, que num Estado religioso, os cidadãos ateus não são permitidos, enquanto que num estado ateu os cidadãos religiosos são permitidos, mesmo que o Estado seja ateu.

Toda a diferença está logo aqui, fora outras.

Conselho: estudar História, medieval de preferência.

Depois acho fenomenal o ego o senhor em questão revela.
Ele deixa pacificamente o vizinho do lado rezar e o vizinho do lado deixa-o ter pratica sexuais extravagantes.

Deixa-o porque o Estado é ateu.
Acaso não fosse ateu, o vizinho do lado chamava a milicia religiosa e de costumes e ele ou iria parar 20 anos à uma prisão e levar umas chibatadas ou era logo aplainado ali no lugar.

Mas esta gente saiu de que ovo?

Por favor.

Por favor.

Alguém informe esta gente que o lugar de idiotas de esquerda com ideias de liberdade aparvalhadas já foi ocupado pelo Bloco de esquerda e que isto é uma gloriosa infracção ao direito de patentes.

GMaciel disse...

E eis-me aqui, no limbo... entre o facto de ser crente e não seguir qualquer igreja, por opção consciente e melhor conhecimento do que separa Deus e Religião. Ah, pois é!
:)

Mas isto já tu sabes, e também deves prever que sou por um Estado laico, por todas as razões e mais algumas e por isto (tão mal interpretado por muitos e de ambos os lados):
"A César o que é de César e a Deus o que é de Deus!"

jocas ( e não me chames nomes)
;)

Igor disse...

Pedro, creio que quem precisa de estudar um pouco (ou muito...) és tu.

O Estado não é ateu. O Estado é laico. São coisas diferentes. E não é o Miguel Duarte, nem eu que o dizemos. É toda a doutrina existente até ao momento que o diz.

Dúvidas?
http://www.laicidade.org/documentacao/textos-criticos-tematicos-e-de-reflexao/aspl/

O Estado português é laico, a URSS era ateia, o Irão é islâmico. São três posições possíveis, das quais a única justa é a do Estado laico. Tens todo o direito de dizer que o Estado português é laico, mas depois não queiras que os outros te tomem a sério.

Não sei de que ovo tiraste a ideia de o Estado português é ateu, mas hás-de me dizer a fonte. A menos que não tenhas fonte. E não sei qual das duas hipóteses a pior: afirmares uma barbaridade dessas sem sequer teres um argumento de autoridade, ou alguém se ter dado ao trabalho de escrever um texto argumentativo em defesa de tamanha barbaridade. Em todo o caso, é uma barbaridade.

Igor disse...

Pois Graça, aí está um caso exemplar que explode com todos os binarismos.
Sua terrorista. :-P

(ops, acho que te chamei um nome. :-|)

Bjs

pedro silva disse...

Igot.

Toda a razão.
Lapso de escrita.Meu
Onde queria dizer "laico" escrevi "ateu".
Divergência entre a vontade e a declaração.

Quanto ao Estado (Português, neste caso) ser laico, isso é apenas formalmente, não na realidade.

Bianca Castafiore disse...

Gmaciel, falaste bem, miga!... :)

Igor disse...

"Quanto ao Estado (Português, neste caso) ser laico, isso é apenas formalmente, não na realidade."

Sim, é um facto que não é absolutamente laico; corresponde mais a uma outra categoria que está "morta" mas que já existiu e que, se não me falha a memória, se designava como "coordenacionista" (ou seja, não tem religião oficial para colabora com uma ou várias religiões). No entanto, o que interessa é que a lei e o rincípio são laicistas e isso permite que se lute pela neutralidade do Estado.

pedro silva disse...

"""No entanto, o que interessa é que a lei e o rincípio são laicistas e isso permite que se lute pela neutralidade do Estado."""

DEVERAS?

A lei e o principio são laicistas?
Isso permite que se lute pela neutralidade do Estado?

Desculpa lá, mas não percebo bem esta teoria.

Porque é que eu tenho que lutar para se atingir 100% de algo se a lei já o prevê?

A lei é concreta e absoluta. Ou é ou não é.O Estado ou é neutro ou não é.

Não existe a figura jurídica ou do bom senso da "meia neutralidade" ou de 70% de neutralidade.

Assim como não existe a figura da mulher gravida a 70% ou alguém que morreu apenas 25%.

E volto a parte original.
A demagogia inerente às posições do outro senhor do speaker corners liberal fractal.

Aquilo - aquele discurso é bloco de esquerda reciclado.

E pessoalmente não tenho respeito nenhum por um Estado que se autodefine como sendo laico, legalmente, mas na pratica é um Estado para religioso como o nosso começa a ser, especialmente através de generosas políticas de subsídios e favores concedidas às mais variadas igrejas.

Parece-me que toda esta precisão estilística argumentativa intelectual positivista e semântica, choca coma realidade.

A realidade é que ontem abri os dois canais públicos do Estado laico mas não ateu, e que permite a liberdade confessional; e à mesma hora, ambos os canis, estavam a passar programas de índole religiosa.

Uma coisa são as definições.
Outra coisa é a realidade.

Por isso não estou a ver como é que uma lei diz uma coisa, que depois não é cumprida, e depois tudo isso nos possibilita que possamos lutar pela laicidade do Estado e do principio disso mesmo.

Parece-me uma lógica de estar a chover no molhado perante um óbvio problema que começa a existir.

E já não falo das transmissões de filmes e séries de inspiração norte americana pelos canais públicos em que a temática são os caçadores de demónios, os monstros comandados pelo diabo, a luta contra vampiros etc, que são
Temas
eminentemente religiosos.

Deve um Estado laico - o tal estado que se abstém de interferir nas orientações religiosas da sua população - estar sistematicamente a propagar a crendice própria de religiões, quando - legalmente - é laico?

E porque é que eu tenho que lutar - gastar energias a lutar contra algo que, supostamente já me foi garantido?

Se em vez de ser isto que está em causa, fosse a pena de morte. Como era?

A lei previa a não pena de morte, mas ela ocorria a cargo de agentes do estado.
Como se resolve isto?

Igor , a mim interessam-me pouco teorias até porque já li muitas e fiquei farto delas.

Interessa-me é a realidade e o que se passa.
E na realidade, o Estado português não é laico.

Bianca Castafiore disse...

"Igor , a mim interessam-me pouco teorias até porque já li muitas e fiquei farto delas."
Como eu concordo, Pedro!... queixo-me do mesmo! Dêem-me boas a sólidas práticas pra mim ver, e deixem os teoremas para o Fermat!!!

Igor disse...

"é um Estado para religioso como o nosso começa a ser"
Não noto que haja derivas confessionalistas de monta. Pelo contrário. Questões como o crucifixo na escola começam a ser resolvidas.

Para quem não gosta de teorias, és um tanto ou quanto revolucionário e utopista. Digo eu, que acho que a realidade não é transformável da noite para o dia, mas isso deve ser alguma teoria maluca que tenho.

De resto, digo (cito) apenas: "Não há nada tão prático como uma boa teoria". É teoria que permite passar à prática, se a teoria for boa e o realismo estiver presente. O resto é a choraminguice tradicional do "está tudo mal" e do "eles são uns malandros" e ainda "este povo não tem remédio" - o "eu sou melhor que os outros embora nada faça para ser diferente dos outros". A crítica permanente e inconsequente é uma atitude confortável.