sábado, 1 de setembro de 2007

A nova revolução industrial - eis a aplicação

Eis agora uma especialista a confirmar a introdução de alterações revolucionárias na forma de as empresas encararem os seus produtos e os seus processos:

Penso que está a emergir uma tendência de desmaterialização e de descarbonização. Temos uma economia muito baseada em coisas materiais e em energia. A questão é como desenvolver uma economia baseada noutros recursos. É preciso pensar em termos de economia de funcionalidades, o que significa vender mais serviços que produtos. Um exemplo disto é a Interface, líder mundial na produção e venda de alcatifas, que hoje em dia, aluga alcatifas em vez de as vender, ou a Michelin que tem um serviço de aluguer de pneus e não de venda. Isto significa que as empresas estão a procurar vender serviços de qualidade a médio-longo prazo em vez de vender produtos. Depois também podem fazer uma melhor manutenção, e no final é mais fácil tratar da reutilização e da reciclagem do produto. Todos estes processos de desmaterialização, descarbonização, economia de funcionalidades e a análise do ciclo de vida do produto devem aumentar, porque vemos que há tanta procura de materiais e energia com o aumento da população mundial, que vamos ter de pensar em implementar novos modos de vida e não apenas pequenas transformações. Teremos de transformar a economia mundial.
Bénédicte Faivre-Tavignot, em entrevista à Sair da Casca

5 comentários:

pedro silva disse...

Sem querer ser desmancha prazeres mas a senhora benedict é uma grande fraude.

Sobre o livro dos 3 ingleses apesar de existirem algumas coisas com que não concordo no texto que tu escrevestes, apesar de tudo não critico porque me parece uma tentativa intelectual séria de fazer uma análise.

Agora entrevista desta senhora é hilariante; é um festival de tretas e de wihsfull thinking imenso.
Nem falta a citação do C K pralahad.
Esqueceu-se do Drucker ou da Rosabeth KANTER MOSS ou de mais uma série de cromos e gurus da gestão.

Ela parte de pressupostos que são hilariantes. Dizer que as empresas na Europa se preocupam com o ambiente porque estão mais conscientes disso é para rir.
As empresas europeias ou outras preocupam-se porque estão a começar a ser pressionadas por consumidores e pelo preço cada vez maior de matérias primas, não porque tenham acordado de repente cheias de tesão pelo ambiente.

Dá um exemplo pavoroso do pior capitalismo possível que é o mercado de aquisição de créditos de carbono. Se as empresas dos sonhos da senhora estivessem de facto preocupadas a sério já teriam tomado medidas para que nem sequer os países da Europa tivessem que comprar créditos de poluição. Tal não é o caso.

Depois diz coisas óbvias que ninguém tinha pensado. Temos uma economia baseada em energia e coisas materiais.
Extraordinário.
Deveras?
Pois isso chama-se capitalismo industrial. Tudo assenta no consumo e produção e para se produzir é necessário energia. Depois da produção saiem produtos.
Óbvio, não?

Depois avança para teoria da economia das funcionalidades - mais um jargão idiota de alguém que ou é ou foi de pseudo esquerda política e apenas nos anuncia uma novidade, que nada mais é do que um truque de mercado -mercado da auto publicitação da senhora Tavignot.

Gosto também da conversa do aumento da população mundial a procurar energia. Quer dizer, foram as mesmas empresas ocidentais , a tais que agora estão a funcionalizarem-se numa economia de funcionalidades que impulsionaram através dos comissários políticos na OMC e noutros lados, a entrada da China e da India nos mercados mundiais.
É claro que a entrada de vastas quantidades de população geraria aumento da procura da energia.

Agora surge mais uma treta intelectual para justificar as asneiras. Em seguida para fundamentar a treta cita oCK pralahad.
As multinacionais investem em países emergentes porque não tem que pagar custos sociais nenhuns ou de investimento,e porque os mercados são maiores.
Que lhes interessa a eles se na india existem 500 milhões de indigentes , se o mercado indiano por exemplo para lòreal, representa 30 milhões de consumidores, enquanto que o da Holanda representa 10?

e depois cita a justificação do altruísmo das empresas que irão para vender produtos de mais baixo valor e mais fáceis de adquirir por pessoas de mais baixos rendimentos.

É a primeira vez que vejo esta teoria económica defendida. Todos os gestores querem um produto melhor do que o da concorrência; excepto na nova economia funcional. ( ou será antes disfuncional...)

O exemplo que ela dá do grameen bank-danone então, é hilariante.
Que altruísmo. Deve ser um yin /yang compensatório.
Na Europa a danone rebenta com dois ou 3 mil postos de trabaho e depois compensa-os - por causa do mau karma, não por causa dos accionistas, criando empregos altruístas no bangladesh.

Epá, quase me vieram lágrimas aos olhos...

depois fala-se em micro fábricas de 1600 pessoas.

quer dizer quando pensamos que em Portugal provavelmente existe uma fábrica que tenha esse numero de empregados pelo país inteiro... quer dizer os 200 milhões de habitantes do bangladesh não contam para esta atitude da danone...

Enfim, mistificações, wishfull thinking, falácias ao pior estilo académico , venda de tretas , truques de mercado , mas do mercado académico que beneficia através de prebendas as teorias da senhora ... pelo menos ela assim espera; se continuar a vender com esta fogosidade estas teorias...

Banha da cobra, mas intelectual..

Igor, desculpa lá, mas tu és melhor que isto... que estas teorias...

Bianca Castafiore disse...

Na prática, qual é a diferença entre alugar pneus ou vendê-los? Eles desgastam na mesma, não é? Não me parece possível que isso resolva os problemas ambientais... A mim parece-me pura semântica, mais uma vez

Igor disse...

A grande diferença é esta: ao vender um pneu, a empresa deixa de ter qualquer relação com o produto após a sua "venda". O aluguer de um serviço pelo contrário implica um comprometimento a longo prazo.

Ao invés de se centrar na produção de produtos maus com curtos períodos de vida, as empresas procurarão então produzir bens duráveis que exijam o mínimo de manutenção possível e que, quando precisem de intervenção, não seja uma substituição total do produto (que seria muito cara) mas uma manutenção de facto (substituição de peças danificadas, reutilização, etc.).

O resultado é uma indústria menos virada para a produção em quantidade e mais para a qualidade; menos deslocalizada e mais próxima do consumidor (uma fábrica central pode abastecer muitos países mas em cada país terá de haver oficinas de reparação e reutilização); menos intensiva em recursos naturais (metais, plásticos, energia, etc.) e mais intensiva em intelecto.

pedro silva disse...

iGOR: Isso é teoria.

Por exemplo no negócio das impressoras , é exactamente - tem sido, exactamente o contrário que tem sucedido.
Há 15 anos, as impressoras eram duráveis e requeriam tinteiros grandes que apenas eram alvo de manutenção- entenda-se re-enchimento após muitas impressões.

Actualmente, as impressoras são pouco duráveis e tem tinteiros que se gatsm rapidamente -requerem manutenção elevada.
Isto no jacto de tinta.

No laser requerem manutenção duradoura - novo toner, mas que é caro de adquirir.

Noutras áreas passa-se a mesma coisa.

A lógica da oficina de reparação espalhada por vários países é uma falácia - uma parte do consumidor desses países nunca terá hipótese de estar sistematicamente a pagar preços de serviços que serão sempre altos dada a frequência dos mesmos ,seja sob a forma de aluguer seja sob outra forma qualquer.

Isto é um salto em frente das empresas para criarem uma espécie de consumo que está sempre a ser pago e não é pago de uma só vez.

Além disso existem uma enorme variedade de produtos que são impossíveis de alugar e não é um ou dois.

Existe ainda outro contra, no caso para um país como Portugal: não temos qualquer hipótese de concorrer num mercado deste tipo.
Não temos nem nunca viremos a ter massa critica, know how, nem estruturalmente tamanho e pedalada para organizar,os uma economia deste tipo com sucesso.

Este tipo de economia leva também à criação de truques de mercado em base exponencial: produtos cheios de peças e sistemas que necessitem regularmente ser trocados/alugados , sem existir consumidores com capacidade para estarem sistematicamente a pagar por trocas e ajustamentos.

Além disso isto já é conhecido desde a decada de 90: chama-se just in time, ou zero flaws e foi desenvolvido pelos japoneses e depois copiado pelo resto.

Falar agora em alugueres é apenas palavras.

E não digo mais nada que já te estás irritar..

Igor disse...

Não podes alugar uma alcatifa. Mas podes alugar os benefícios de uma alcatifa. Assim, o teu compromisso será fornecer uma alcatifa sempre em bom estado. Precisamente, a questão está na passagem do produto aos serviços.