segunda-feira, 30 de julho de 2007

Pedro Arroja é um admirador dos Países Nórdicos - será que de fascista passou a social-democrata?

Mais uma vez, o Portugal Contemporâneo. Utilizando o argumento dos 90% (nos quais provavelmente estou incluído, apesar de ser ateu da silva), afirma o teócrata (gostei da expressão usada por um dos comentadores) Arroja que em Portugal deve o catolicismo ser a religião oficial, tal como em outros países (Dinamarca, Suécia, Finlândia, Islândia, Reino Unido, etc.). Sendo o argumento da maioria um disparate quaria centrar-me mais na comparação descabida com os países nórdicos (será que Arroja se terá tornado um social-democrata ao estilo escandinavo?).
Por que carga de água é que ao Estado há-de interessar os disparates em que cada um acredita? Se 90% das pessoas acreditar que o mundo é controlado por homenzinhos verdes, devemos tornar essa crença oficial? Arrumemos os números, passemos aos factos.

Tornar o estado confessional daria privilégios inaceitáveis à Igreja Católica. Como o referendo ao aborto mostrou, mesmo a maioria dos católicos está em desacordo com os princípios defendidos pela Igreja. Dar a esta instituição um estatuto político era por via antidemocrática instituir-se uma tutela ideológica do Estado. Quanto à comparação com a Dinamarca e outros países nórdicos, já alguém se questionou por que é que os países do Norte são protestantes e confessionais, e os dos sul católicos e laicos? Pois é. É que com estados confessionais de fachada mas progressistas de facto, convive-se bem. Não se convive bem é com anões intelectuais como os católicos, fonte de inúmeras ditaduras e atropelos à liberdade; para tentar controlá-los, foi preciso pôr na lei a separação, quando os do Norte tinham-na posto nos actos e de facto.
Ainda assim, a Igreja Católica controla mais a vida dos portugueses que a Luterana a dos dinamarqueses. Só assim se explica, e pegando não só no caso que referi (aborto) como no que o comentador Euroliberal refere enviesadamente (os casamentos homossexuais); na Dinamarca, o aborto é legal há décadas e as uniões homossexuais datam pelo menos da década de 1980. Na Suécia, há um estatuto reconhecido de união homossexual desde a década de 1940 (se não me falha a memória). Portugal só avançou em ambos os temas no século XXI.
O que eles pretendem - está bom de ver - é ter o estatuto da Igreja Luterana mantendo os hábitos da Igreja Católica.

1 comentário:

Bianca Castafiore disse...

Eu interrogo-me sobre o seguinte: considerando que há na Europa estados com diferentes confissões cristãs, e inclusive com o governante implicado na estrutura eclesiástica (Inglaterra, por ex.) como é que a Igreja católica entra aí com estatuto especial?... Mesmo considerando a confusão que tem reinado tanto nos princípios como nas finalidades, esta parece-me uma verdade demasiado evidente... Como pensarão manobrar a coisa?
Ah, Voltaire!... Volta depressa! E Locke!