sábado, 16 de junho de 2007

Brilhantes, estes "liberais" portugueses


Cita Friedmen o António Costa Amaral, do Arte da Fuga, aqui:
we do not wish people to earn a maximum of merit but to achieve a maximum of usefulness at a minimum of pain and sacrifice and therefore a minimum of merit.


Ora bem: agora já percebi por que é que Friedman, que supostamente defendia a liberdade, defendeu a ditadura chilena e o assassinato de milhares de pessoas.
Foi tudo uma questão de evitar muitas dores aos militares e aos oligarcas: podiam tentar manter os seus privilégios no seio de uma sociedade democrática. Não obstante, isso daria muito trabalho. Assim, é muito melhor matar logo os gajos, violar as mulheres, esventrar as grávidas e dá-los de comer aos tubarões.

Conseguiram desta forma com um mínimo de esforço próprio alcançar o máximo de benefício, roubando, pilhando, matando e violando, o que qualquer troglodita sabe que é muito mais vantajoso que esforçar-se, trabalhar, pagar impostos, tirar do seu próprio bolso para ajudar outrem, submeter-se a eleições e outros disparates que tais.


Eh pá, caraças - como é que eu nunca me lembrei de uma coisa destas?

Ah, já sei - é que eu não sou nazi. Foi esse pensamento aristocrático que, descendendo do conservadorismo, criou o nacional-socialismo (esta foi também para os meninos do Small Brother - leiam Barrington Moore).

5 comentários:

Ricardo G. Francisco disse...

Igor,

Se quer ser levado a sério tente ser pelo menos correcto no que escreve. Friedman alguma vez promoveu a violência?

Entretanto estudar um pouco de ciência política não lhe faz mal. Fascismo ou nacional socialismo está perto do Socialismo e nos antípodas do liberalismo...

Igor disse...

Ricardo, se quer ser levado a sério tem de:

1º - Assumir o elogio de Friedman ao Chile de Pinochet

2º - Estudar um pouco de ciência política e perceber que
- "Socialismo" é um termo que abarca muitos conceitos, desde o Comunismo à Social-Democracia, passando pelo Socialismo Libertário e pelos Socialismos Utópicos
- Fascismo e Nacional-socialismo são doutrinas de Direita e se é facto que defendiam uma intervenção do Estado ao nível económico, não é menos verdade que não eram propriamente (ou pelo menos não o foram na prática) anticapitalistas; foi mais forte a sua intervenção no plano dos costumes que no plano da economia - portanto, uma posição muito próxima da dos conservadores, pelo menos em princípio

3º - Caso não tenha lido o que eu escrevi, ou não o tenha lido bem, eu defendi que conservadorismo e nazismo estão próximos na medida em que ambos se baseiam no princípio aristocrático; as concretizações têm obviamente diferenças, mas o ponto de partida é o mesmo. Em momento algum comparei o nazismo ao liberalismo - embora eu compreenda que, para si, o liberalismo e o conservadorismo sejam a mesma coisa, e portanto qualquer ataque ao conservadorismo lhe cause espécie (embora no contra-ataque depois fale nno liberalismo). E não, para mim o neoliberalismo não é um liberalismo. Ninguém que elogie uma ditadura pode ser liberal. Para mim, isso é tão simples quanto saltar à corda. Pode discordar de mim, admito que outras pessoas tenham concepções distintas de "liberalismo", mas para mim pedras basilares do liberalismo são os imperativos éticos, e não as concretizações económicas - essas vêm depois e como consequência; nunca antes. Essa é a diferença fundamental para um neoliberal - para ele, o mundo estéril das abstracções económicas é tudo; se a isso se puder juntar uma democracia, muito bem; se não, paciência. O fundamental é a desregulamentação económica. São duas concepções radicalmente distintas que me permitem colocar o neoliberalismo junto do conservadorismo, precisamente na medida em que admite a compatibilidade com ditaduras (benévolas, pois claro, sempre benévolas - alguém alguma vez ouviu a um ditador dizer que ele era uma má pessoa ou mau governante?).

Ricardo G. Francisco disse...

Igor,

REspondo por si. Friedman nunca promoveu a violência. Promoveu facetas de um estado autoritário, dictatorial que cometeu n atrocidades.

Tenho a certeza que conehce muito boa gente que defendeu o regime cubano ou o soviético ou o chinÊs. Gosto de acreditar que as muitas pessoas que eu conheço que o fizeram, não defendiam os assasíneos, violações e por aí adiante cometidas por esses mesmos regimes.

Socialismos há muitos, com certeza. Mas todos se unem em um ponto, a relevÂncia do estado para a defesa de direitos económicos. A visão colectiva da sociedade e a diminuição do papelo do indivíduo. A socialização, nem que seja à força.

O Nazismo, se estudou ciência política, tem pouco a ver com elitismo aristocrático. Pode ter sido apelativo para a aistocracia alemã, ou alguma aristocracia alemã, mas foi um movimento de massas e que respeitou o socialismo do nacional socialismo. Embora a receita concreta fosse diferente, a visão coelctivista estava lá.

Entretanto ainda bem que entende bem a diferença entre os valores morais liberais e a sua aplicação em uma das dimensões do indivíduo. Pode-se defender o direito de propriedade sem se ser liberal. Tal como se pode ser colectivista sem se ser comunista.

Igor disse...

Conheço muitas pessoas que defenderam esses regimes, e algumas que defendem, por exemplo, a ditadura portuguesa. Algumas ao aperceberem-se daquilo que estavam a defender, mudaram de opinião; essas pessoas têm, pelo menos, sinceridade nas suas crenças que interpretam como "humanistas"; e sob esse ponto de vista, se reconhecem que a aplicação foi má e renegam esses casos mal os conheçam, pois elas estão "no mesmo barco" que eu. Há mínimos que abaixo dos quais eu não vou - e não tolero que outros vão - seja em nome de que ideal for. E Friedman foi. Defender ou elogiar "aspectos autoritários" é precisamente uma das redlines que eu não passo. Não posso passar. Para mim, a dignidade humana (em primeiro lugar - o ser humano enquanto ser livre e entendido como fim em si mesmo, não como um meio) e a democracia (em segundo - o regime que até hoje melhor provou defender a dignidade humana) não estão sujeitas a "mas". Lamento. Sobre isso ando há uns dias a pensar escrever um post, a ver se ainda esta semana tenho cabeça para o fazer. Mas avanço já o básico do seu conteúdo: para mim, não há sequer benefícios económicos que justifiquem a anulação da dignidade humana. Foi isso mesmo que eu quis dizer com a minha recente comparação entre o neoliberalismo e o marxismo. É justamente isso - bem como a humildade de perceber que não há soluções infalíveis em matéria económica - que me afasta de si ou de um militante do PCP.

Não, já viu como é preconceituoso? E ainda me queria dar lições de Filosofia! Bah. Olhe, eu já nem vou falar da social-democracia (que não é propriamente colectivista e o seu estatismo é historicamente variável). Assim apenas para derrubar de uma estocada só o seu edifício de certezas a respeito dos Socialismos (vá lá, admitiu que há mais de um), vá investigar o que são os socialismos utópicos e o que é o socialismo libertário. No libertário, em particular, se ler um pouco de António Sérgio ficará esclarecidíssimo a respeito desse colectivismo e estatismo.

O nazismo conceptualmente transformou a mentalidade aristocrática e romântica e adaptou-a a uma nação inteira. Não tem nada que ver com os socialismos, que como bem saberá (é uma das razões pelas quais os detesta) têm como princípio basilar o igualitarismo. A consequência lógica dos socialismos é que todos os seres humanos são iguais, mas todos mesmo. O nazismo, não: trata-se de uma ideologia expansionista que visava transformar os povos "arianos" em aristocratas governando sobre uma grande massa de população em situação de escravatura ou semi-escravatura. Não tem rigorosamente nada que ver.
Quanto ao colectivismo, pois com certeza; mas não colectivismo de bens. A propriedade dos "arianos" era inteiramente respeitada e até largamente aumentada (com a depredação dos outros povos) - e tudo sem mérito nenhum, como Friedman desejava, ou se preferir com o mérito próprio da aristocracia: o da guerra e da conquista. O colectivismo nazi deu-se sobretudo numa construção cultural, tal como sucede em qualquer visão conservadora, que defende que as sociedades têm uma única cultura e um único código de valores aos quais todos os cidadãos têm de se vergar.

Justamente porque eu acho que se pode defender o direito de propriedade sem se ser liberal é que eu coloquei no título do post a palavra liberais entre aspas. Portugal deve ser o único país civilizado em que liberal é quase consensualmente (tanto à esquerda como à direita) sinónimo de conservador e que seja exclusivamente reduzido à dimensão económica. Convenhamos - um triste disparate.

Filipe Brás Almeida disse...

Post excelente e comentários ainda melhores.

Parabéns Igor.