quarta-feira, 6 de junho de 2007

Lido no Esquerda Republicana

Ricardo Alves:
O anarquismo de há cem anos não se reduzia à violência de rua. O anarquismo actual parece reduzir-se a isso mesmo. E o problema é esse.
Os anarquistas do início do século 20 controlaram a maioria dos sindicatos durante quase duas décadas, formaram associações de bairro e mutualistas, dinamizaram bibliotecas populares e cursos de alfabetização, etc. Eram muito mais do que fazedores de bombas caseiras.
Os «anarquistas» de hoje acham que os Estados democráticos se combatem da mesma forma que se combateram monarquias e autoritarismos há 100 anos atrás? Se pensam assim, então retiveram o pior da herança anarquista sem tirar lições nem sequer compreender o que era realmente importante para os homens do outro século.

Terça-feira, Junho 05, 2007 11:32:00 AM

Tive de colocar esta resposta do Ricardo Alves, na sequência do post http://esquerda-republicana.blogspot.com/2007/06/dar-mau-nome-ao-anarquismo.html. Se os anarquistas de hoje fizessem algo de útil, eu ainda podia tentar condescender. Mas de facto, não só são uma nódoa nos seus actos, como são uma nulidade pelas suas omissões. O anarquismo sério está morto - restam os pequeno-burgueses revoltados.

6 comentários:

panúrgio disse...

obrigado por não condescenderes, vou tentar não fazer o mesmo contigo. falas sem saber. atacas de forma vil o que não conheces. se achas que @s anarquistas não fazem nada de útil talvez esteja na altura de perceberes que talvez não seja útil para ti, por estares do lado do privilégio. é o que transparece do que escreveste.

no meu entender a actividade anarquista actual é significativamente mais evoluida e mais profunda do que era no passado. evoluiu com o pensamento das anarquistas, ainda bem. claro que a actividade talvez seja mais reduzida, com menos alcance, mas é o resultado de haver pouca gente no meio. digo que é mais evoluida porque se ultrapassou a ideia que a luta contra o poder ilegítimo é uma luta contra o estado, o capitalismo, o racismo e o clericalismo. hoje há a percepção que também se tem de combater o autoritarismo em todas as suas formas, na sua multiplicidade de fascismos quotidianos.

deve-se falar com um conhecimento mínimo das coisas, e se não se sabe ou se sabe pouco, então é sinal de inteligência e de respeito não catalogar e reduzir a cinzas @s outr@s e o que fazem. questionar e colocar dúvidas teria sido melhor opção. enganos são admissíveis, o que disseste não passa de um imberbe chorrilho de disparates

Igor disse...

Conheço o suficiente dos anarquistas (conheço anarquistas) e tenho de manter que não fazem nada de útil. Onde estão as cooperativas? Onde estão as mutualidades? Onde estão os sindicatos? Há menos gente no meio? E porquê, já se questionaram?

Em lado nenhum. Por conseguinte, não fazem nada de útil. Claro, esta é a perspectiva de alguém que defende que o fundamental da nossa economia devia estar entregue precisamente a cooperativas e mutualidades - e por isso, alguém que simpatiza com aquela divida "Nem Estado, Nem Patrão, Auto-Gestão" (creio que é assim). Mas agora, eu defendo auto-gestão, não defendo que para ser revolucionário se deva andar desgrenhado, cheirar mal, insultar tudo e todos, atirar bolas de tinta a lojas, etc., etc. Já leste António Sérgio? Se não, fica com um pequeno resumo neste post: http://o-reino-dos-fins.blogspot.com/2007/05/ainda-sobre-o-materialismo-viso-de-um.html

Se quiseres mais, tenho mais textos meus sobre ele.

Já agora, quem ataca de forma vil o que não conhece e fala sem saber és, por mero acaso, tu. O que te leva a dizer que eu estou "do lado do privilégio"? De onde é que me conheces? De lado nenhum - se conhecesses não dirias isso. Eu aposto contigo em como tu até provéns de um meio social superior ao meu. Na boa.

panúrgio disse...

caro igor,

depois da troca inicial de gualhardetes deixa-me dizer-te de forma mais amigável que continuo a não concordar contigo. tomas a parte pelo todo ao falar das desgrenhadas que insultam tudo e todos. mostras não conhecer a actividade desenvolvida pela comunidade libertária. volto a dizer que uma base mínima para um diálogo sério é ter o cuidado de não fazer este tipo de afirmações infundadas.

perguntas se não nos questionamos porque é que haverá pouca gente no meio. claro que sim. cada uma terá a sua teoria, mas uma coisa parece-me ser comum à percepção da grande maioria das libertárias: a propaganda autoritária é imensa, os preconceitos que origina são sólidos.

não conhecia o antónio sérgio mas li o teu artigo. não me identifico com o que ele diz embora me pareça estar próximo do que considero uma perspectiva libertária. por exemplo, não acho que o povo deva ter uma participação nas decisões que afectem a sua vida. as decisões têm obrigatoriamente que ser tomadas por essas pessoas. a isso se chama auto-gestão. também não aceito a ideia de um político equiparado a um pedagogo que leve os indivíduos a governarem-se a si mesmos. essa é a perspectiva esquerdista. eu não aceito vanguardas que liderem as massas em direcção à utopia.

de qualquer forma, estar próximo é significativamente melhor que estar longe. o que é preciso é ter em atenção aos múltiplos autoritarismos que referi no meu comentário anterior.

por fim, e não querendo alimentar esta polémica, estar do lado do privilégio não quer dizer que se seja rico (ou de proveniência rica). poderia dizer o mesmo a um democrata, por exemplo. ou a um machista, por mais pobre que ele seja. o privilégio, tal como o poder e o autoritarismo não está só no estado e no capitalismo

Igor disse...

Olha panúrgio, eu realmente não te quero ofender, embora o que vou escrever possa parecer um insulto: acho que o teu discurso tem traços que indiciam paranóia.

Quanto ao privilégio, isso é conversa de burguês. Se eu tivesse dinheiro para dizer disparates, também o faria, provavelmente.

panúrgio disse...

caro Igor,

é pena que te refugies dessa forma e que não corrijas pelo menos os erros básicos de catalogação e generalização que cometeste em relação ao meio libertário

quanto à paranóia, digo-te que me assusta essa mentalidade

xauzinho

Igor disse...

Não cometi nenhum erro básico de catalogação: os anarquistas actuais não fazem nada para além de manifestações violentas, fumar brocas e ouvir reggae. Convenhamos: nada de politicamente relevante, a não ser as manifestações violentas, que são altamente contraproducentes para as causas que defendem.

A mim também me assusta a mentalidade paranóica, especialmente se eu estiver numa manifestação - arrisco-me a levar da polícia sem saber como nem porquê e tudo por culpa de alguém que ou nasceu bem demais, ou não leu coisas suficientes ou fumou brocas para lá do necessário ao são convívio. :-)